Bullying

 

  • Os meus colegas da escola gozavam muito comigo por eu ter um aspecto diferente e, por isso, eu não gostava de andar na escola. Portanto, quando ficava doente em casa, até ficava muito feliz. Sentia-me protegido e seguro em casa e não tinha saudades nenhumas da escola.
  • À medida que fui crescendo, os meus colegas maltratavam-me, roubavam-me e humilhavam-me e eu comecei a ter vergonha de me mostrar. Eu não sabia mas hoje sei que chamam "bullying" a esse tipo de violência física e psicológica. Houve uma vez que tive de sair da sala de aula para dar entrada nas urgências do hospital. Cortaram-me com um x-ato, perto do ombro, onde levei cerca de 7 pontos. Noutra altura, quase que me queimaram a cara com um isqueiro.
  • A partir de certa altura comecei a esconder-me debaixo dos carapuços.
  • A minha mãe ficava muito triste cada vez que me via enfiar um carapuço na cabeça para me esconder e nunca estava descansada porque os outros meninos e meninas tratavam-me mal e eu não sabia defender-me.
  • Um dia o meu pediatra propôs que a minha mãe me levasse a uma psicóloga, para ver se ela me poderia ajudar. Não só por causa da baixa autoestima que tinha mas também porque eu tinha muita dificuldade em aprender. Isto embora, na escola, eu estivesse integrado numa turma especial, para alunos que precisavam de apoio especial... mas eu não tinha nenhuma vontade de estudar e ou de ir para a escola.
  • Depois de algumas sessões com a psicóloga, ela fez um relatório para o meu pediatra, onde ela aconselhava que eu fizesse uma operação plástica máxilo-facial por forma a aligeirar as minhas diferenças e assim tentar passar mais despercebido. 
  • A discriminação a que eu estava constantemente sujeito deixava a minha mãe tão angustiada, que era raro o dia em que ela não chorasse.
  • Ela contou-me que, a primeira vez que me foi mostrar às colegas de trabalho, tinha eu pouco mais de um mês, houve quem comentasse que eu estava cheio de sida! Aquando da primeira vacina, no centro de saúde, recusaram-se a vacinar-me, sem uma declaração do meu pediatra a dizer que podia ser vacinado e que se responsabilizava por algo que me acontecesse. 
  • Quando a minha mãe me quis colocar num infantário, ninguém me aceitou, porque não queriam assumir a responsabilidade de ficar com um bebé tão doente. Mais tarde, uma senhora que veio perguntar à minha mãe se ela não tinha vergonha de andar na rua, com um filho naquele estado e ainda os olhares, os comentários entre dentes e em sussurro, o “Ah, coitadinho!!!” e coisas do género… enfim uma série de situações, às quais eu já me tinha habituado e não queria dar demasiada importância.
  • Se na escola primária os meus colegas me apontavam e me chamavam nomes, já na preparatória passei a ser ofendido e maltratado fisicamente. Faziam-me esperas, humilhavam-me em frente dos outros, faziam de mim joguete de um lado para o outro, e quando quiseram roubar-me dinheiro e perceberam que não o tinha (porque a minha mãe nunca me deixava levar dinheiro para a escola) acenderam um isqueiro na minha cara.
  • E as ofensas corporais foram aumentando até ao dia em que me cortaram com um x-ato.
  • A escola onde eu andava, deveria ter atuado quando fui cortado. Quanto mais não fosse, por obrigação moral, mas a única coisa que fizeram foi chamar os pais do miúdo, que nem sequer tiveram a decência de nos vir pedir desculpa pelo sucedido. 
  • Por outro lado o conselho diretivo da escola não atuou porque faltava uma semana para acabar as aulas e não dava tempo para nada!
  • No entanto, por mais caricato que pareça, no ano letivo seguinte meteram-me na mesma turma do agressor e quando a minha mãe foi perguntar porquê responderam-lhe que era uma turma de ensino especial e, como só havia aquela, eles teriam que ficar juntos.
  • A minha mãe ficou tão indignada que mandou o ensino especial às urtigas e pediu a minha transferência para outra escola, que só conseguiu depois de muita insistência e com relatórios médicos.
  • Na nova escola passei a ter ensino especial com uma professora que se preocupava muito com os alunos e tentava sempre ajudar-nos.
  • Os meus colegas de turma continuavam a gozar comigo mas as professoras eram muito minhas amigas e apoiavam-me muito e a minha diretora de turma conseguiu falar com os meus colegas de turma para eles serem mais atenciosos comigo e aos poucos alguns passaram a tratar-me melhor.

Sondagem

Alguém da sua família ou amigos já sofreu bullying?

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O que é o Bullying?

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18-09-2013 22:49
Os pais e as mães têm um papel muito importante na prevenção e resposta ao bullying homofóbico ou transfóbico. O bullying homofóbico e transfóbico não afeta só jovens lésbicas, gays, bissexuais ou transgéneros (LGBT). Qualquer pessoa que seja percecionada como diferente pode tornar-se vítima de...

É Vítima

18-09-2013 22:47
Fala com alguém em quem confies ou com quem te sintas seguro/a. Pode ser uma pessoa adulta da tua confiança ou com um(a) amigo/a, que sabes que respeita a tua confidencialidade. Pode ser um professor ou uma professora, o teu pai ou a tua mãe, uma organização de defesa dos direitos das pessoas...

O que é o Bullying

18-09-2013 22:44
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